Alemanha no Natal e Reveillon

Viajar para o Hemisfério Norte durante as festas de final de ano pode ser uma experiência única. Os mercados de Natal, a neve e as festas de virada têm muito charme e tradição, e compensam as baixas temperaturas por conta do inverno.

O inverno costuma ser baixa temporada, exceto em locais onde há pistas de ski e esportes de inverno, mas inevitavelmente o período que compreende o Natal e o Ano Novo costuma ser considerado altíssima temporada e a economia em valores gastos na viagem vai pelo ralo. Também, é um período de grande procura por viajantes locais e internacionais, o que requer muito planejamento e um bom tempo de antecedência para garantir a sua vaga.

Em alguns países, estes mercados de Natal acontecem até uma semana antes do próprio Natal, com decoração temática, venda de produtos, patinação no gelo, comidas e bebidas típicas e venda de produtos locais. São "a atração" da cidade onde eles acontecem. Vale a pena considerar no seu planejamento (esta é uma frustração que tenho: jamais vi pessoalmente um destes mercados).

Em 2005 viajamos no dia 23 e a ideia era chegar dia 24/12 por volta do horário de almoço e a tempo de ajudar no preparo da ceia. Mas... nosso voo do meio dia foi cancelado e o próximo voo seria somente às 22 horas. Isso significaria uma longa espera no aeroporto (para a qual não estávamos preparados) e a chegada no exato momento da ceia de Natal.


Aprendizado 1: se um voo tem chances de ser desmarcado ou cancelado, pode ter certeza de que estas chances aumentam muito no período de altíssima temporada e inverno, vulgo, Natal no hemisfério norte. Esteja preparado para este tipo de imprevisto.

Felizmente os alemães comemoram o Natal no dia 25 mesmo, com o almoço, e portanto isso não foi tão ruim para nossos anfitriões, que acabaram nos esperando para jantar.

Aprendizado 2: na Alemanha não é usual fazer a ceia da véspera, mas sim o almoço de Natal no próprio dia 25 (e os presentes também amanhecem sob a árvore, provavelmente deixados lá pelo Papai Noel).

Os dias seguintes, com muita neve, serviram para andarmos pela cidade, pelos parques públicos e áreas abertas porque neste período tudo fecha mesmo. Até padarias e mercados (com raríssimas exceções).

Aprendizado 3: em dia de Natal (25) e no dia seguinte (26) todo o comércio fecha, inclusive mercados, padarias e lojas de conveniência. Se viajar neste período, prepare-se para encontrar tudo fechado, inclusive restaurantes. Portanto vale a pena se informar como é o esquema na cidade onde estará, ou programar somente passeios que estejam abertos ao público nestas datas.

A neve é, ao mesmo tempo, linda e trabalhosa. Exige cuidados não só com as roupas que iremos vestir (exigindo algumas boas camadas, além de roupas térmicas), mas na maneira como andamos e nos relacionamos com as atividades ao ar livre (não dá para caminhar o dia todo), porque o frio é grande e não estamos acostumados a isso.


Aprendizado 4: em viagens de inverno, intercale passeios ao ar livre com outros em lugares fechados e aquecidos (como museus, galerias, castelos e outras atrações). O frio é cansativo e pode atrapalhar seus planos.

Depois dos primeiros dias, fizemos uma viagem de carro pela Alemanha, e a ideia era passar o Ano Novo em Berlin, ficar ali por alguns dias, e fechar a viagem em Praga. Éramos 4 adultos num carro modelo Opel (tipo o corsa antes de virar "bolinha") dos anos 80 e com o sistema de aquecimento comprometido. Portanto viajamos super agasalhados e com cobertores e edredons para aguentar o frio.

Aprendizado 5: sem aquecimento não dá. É muito ruim e, de novo, o frio é cruel.



A estrada é ótima e um "tapete" (a famosa Autobahn), muito segura, há muitos trechos com velocidade sem limite (o que requer um excelente veículo e muito conhecimento de direção), as paisagens lindas com muitos locais de parada com banheiros públicos limpos. Há alguns postos com restaurantes para ajudar e precisa ficar atento aos pedágios na estrada. São muito bem sinalizadas (na época viajamos com um guia impresso), mas com a facilidade de um GPS, não tem erro.

Aprendizado 6: estude bem o seu trajeto. Chegar não precisa ser o seu único objetivo: inclua algumas paradas. Na pressa de chegar, deixamos de visitar lugares interessantes, cidades pitorescas e fazer paradas (em Dresden ou Hamburg, por exemplo) e me arrependo por não ter deixado espaço no cronograma para isso.

Em Berlin, ficamos num hostel bacana, e conseguimos fechar um quarto exclusivo no bairro Turco (e tivemos ótimas experiências nos restaurantes de lá). O importante era o fácil acesso à rede de 'trams' e metrô. (Mantivemos o carro parado para não perder a vaga e porque é mais fácil se deslocar de transporte público pela cidade.)

Fizemos alguns passeios clássicos (como visitar o muro, Alexanderplatz, a Torre de Televisão, o Pergamon Museum, o parlamento, a Siegessäule ou Coluna da Vitória - que ficou famosa pelo filme "Asas do Desejo", o portão de Brandemburgo, passamos pelo Checkpoint Charlie, o monumento ao Holocausto, e a igreja Gedächtniskirche). Claro que sempre ficam muitos outros faltando, mas uma viagem é feita de escolhas e, em grupo, a gente tem que administrar as expectativas. Foi muito legal, porque estávamos na companhia de um casal de amigos (um deles alemão) e isso foi muito importante nesta escolha.



Outra coisa muito legal: come-se e bebe-se muito bem na Alemanha. Eu já estive lá muitas vezes e nunca tive o azar de comer alguma coisa ruim. Pelo contrário. Os ingredientes são ótimos, preços super baratos e as refeições excelentes, seja na comida de rua (bratwurst ou pretzels), seja em restaurantes alemães ou de outras gastronomias (a cozinha turca é um espetáculo também!).

Aprendizado 7: come-se muito bem, bebe-se muito bem (cerveja e vinho, sobretudo) e gasta-se pouco na Alemanha. Aproveite para experimentar e conhecer novos pratos, sabores, experiências (a cozinha tailandesa estava super na moda quando estivemos lá em 2005/2006).



A noite da "virada" de ano gera muita expectativa. Para os alemães é uma das poucas noites em que se pode soltar fogos de artifício. Ainda assim, não espere nenhuma Copacabana por lá. Assim como no Rio de Janeiro a festa é na praia de Copacabana, e em São Paulo, na Paulista, em Berlim o lugar é o portão de Brandemburgo. A festa é pública, realizada pelo governo local, e atrai milhares de pessoas. Ainda assim, sem empurra-empurra, sem confusão, no maior respeito e organização. Vale a pena participar, mas não esqueça de ir bem agasalhado, com sapatos confortáveis e forrados, e considerar ter um plano B para aguentar o frio (parece cafona mas é super comum as pessoas levarem a própria bebida e comida em mochilas, isso salva sua noite). É tudo muito diferente, mas vale a pena entrar no clima e na festa.


Aprendizado 8: leve em consideração a baixa temperatura. Vale a pena passar a virada na rua, vendo os fogos, mas tenha marcado um lugar para ir após isso, já que o inverno é rigoroso e faz muito frio (no nosso caso estava 9 graus negativos).



Terminados nossos dias por lá, seguimos viagem para a República Tcheca debaixo de uma tempestade de neve como esta da foto acima. Mas isso eu conto em outro post.

Adorei a experiência e a viagem. Recomendo fortemente, mas leve em conta nossos aprendizados.

Tshuss!

Intercâmbio - Errando e aprendendo

Neste post vou contar sobre uma experiência ruim de intercâmbio, mas que acho que ainda assim foi válida para consolidar o que aprendi nos outros posts a respeito do tema. Obviamente eu já aprendi muita coisa e esta experiência não aconteceu comigo, mas com meu marido ("em casa de ferreiro o espeto é de pau"). (Ainda assim a viagem foi maravilhosa!)

Eu aprendi que é preciso planejamento, organização, pelo menos 4 semanas (o que equivale a 1 mês em sala de aula), lazer e boas escolas para que se tenha um intercâmbio onde o retorno do investimento seja positivo. Mas às vezes o que a gente aprende e aconselha acaba seguindo por outros caminhos por alguns fatores (sobretudo economia e teimosia).

Na terceira viagem a Londres (sim, eu amo lá!!!), em 2005, fui com meu marido. Ele precisava aprender melhor o inglês por questões profissionais, poderíamos nos hospedar na casa de parentes (o que significa ótima companhia, oportunidade de viver como um local e boa economia) e ainda visitar a minha irmã na Alemanha (passando as festas de final de ano com ela). Apesar de já estarmos casados há mais de um ano, esta foi nossa verdadeira lua de mel.

O cenário era:
- os dois trabalhando e portanto conseguindo no máximo 40 dias de férias (depois de muito puxa daqui e junta dali e - necessariamente - teria que coincidir com as férias coletivas de final de ano),
- orçamento restrito (sempre!),
- dinheiro somente para um dos dois estudarem (e portanto desta vez a prioridade foi o marido),
- hospedagem em parentes (para economizar e curtir a companhia),
- encavalado com festas de final de ano (Natal e Reveillon), os poucos dias em que "tudo para" (as passagens ficam mais caras, e o curso só reinicia após as festas).

A libra continuava impossível, bem cara, e o dólar e o Euro estavam bem carinhos também.




ERRO 1
Na minha opinião, uma vez que haveria pouco tempo, recomendei pelo menos 3 semanas de estudos. Ele escolheu fazer 2 (ficamos as outras 2 semanas na Alemanha e República Tcheca). .

ERRO 2
Recomendei as duas escolas em que eu havia estudado porque tinham sido boas e eram super conceituadas, além de sugerir que fizesse os cursos extras na parte da tarde para reforçar o aprendizado. Ainda, encontrei outras duas opções que eram de descolas ainda boas, mas um pouco mais baratas. Ele escolheu uma que foi "desrecomendada" por uma amiga e que era a mais barata.

ERRO 3
E pior: optou por fazer curso somente na parte da manhã, das 9 ao meio dia (nada de cursos extras para ajudar com conversação ou phrasal verbs, ou business).

Resumo:
As instalações da escola eram horríveis, nada estimulantes.
Os alunos, super desqualificados (a grande maioria estava matriculada nesta "escola" somente para ganhar o visto de estudante e poder ficar no país trabalhando ilegalmente e não tinha muito interesse e nem preparo para estar ali estudando, nem o básico).
O curso em si era péssimo. O foco da própria escola nitidamente não era no estudo, mas em "alimentar" a "indústria de vistos de estudantes" (mas não vou discutir aqui a questão). Os professores não tinham didática, não tinha material de apoio nem muitos recursos audio visuais.
Ele não aprendeu nem metade do que aprenderia se estivesse numa boa escola, e ainda não teve a oportunidade dos cursos extras que ampliam, ainda mais, e reforçam a fluência.

Mas ainda com estes erros, a viagem foi maravilhosa (todos os demais aspectos sempre compensam), valeu a pena (exceto pelo curso, que foi dinheiro jogado no lixo, ou seja "o barato saiu caro") e a experiência serviu de lição, como um "não disse" - por tudo o que já havia visto, vivido e sugerido. E pelas visitas que fizemos a nossos familiares queridos.

Em nossa estada visitamos vários pontos turísticos, fizemos algumas baladinhas, encontramos familiares e amigos queridos, tivemos contato com a cultura, pegamos a grande liquidação pós-Natal (e isso compensou muito o valor alto da libra e dos Euros), 



Não podia faltar a seção de coisas engraçadas e boas de recordar:
- chegamos na noite de Natal na Alemanha e no aeroporto havia no máximo uns 5 funcionários (deu um medo!);
- apesar do frio negativo, fizemos um raclete* na varanda para celebrar o Natal (*um prato suíço com um queijo especial que é colocado para derreter sobre legumes, maravilhoso!);
- achamos a Alemanha muito barata e os alemães extremamente simpáticos - clique aqui para ler todos os posts que fiz sobre a Alemanha no blog);
- em Londres, por coincidência, encontramos uma amiga estudando na mesma "ótima escola" do meu marido - ela também se arrependeu da escolha;
- viajamos de carro entre Bremen, na Alemanha, e Praga, na República Tcheca, passando por Berlin, 4 adultos num carro tipo Corsa (Opel) dos anos 80 e sem aquecimento (em temperaturas que chegaram a menos 20 graus célsius), com cobertor e edredon para aguentar - "Férias da Família Pinto";
- o Reveillon em Berlin é maravilhoso, e Praga é fantástica (a comida e a cerveja também);
- ficar na casa do primo e poder cozinhar foi uma dádiva (pela excelente companhia e para comer - finalmente - bem em Londres sem gastar muito, sobretudo porque descobrimos que mercadinhos portugueses vendem feijão e linguiça), vale a pena considerar a possibilidade caso você planeje fazer um intercâmbio de longo prazo;
- vi a primeira baleia na natureza: um filhote de baleia "bottlenose" que erroneamente entrou no Rio Tâmisa e causou comoção na cidade (infelizmente ela não aguentou e acabou morrendo).

E também uma...

LIÇÃO DE VIDA DE INTERCAMBISTA
Não adianta planejar e comprar uma viagem maravilhosa, para depois rasgar seu dinheiro escolhendo um curso mediano ou ruim. Na minha opinião existe: fazer um curso bom ou ótimo, ou não fazer (adiar até juntar um pouco mais de dinheiro e poder pagar uma boa escola).

Aqui está o link para todos os posts sobre intercâmbio: clique aqui

Intercâmbio - Um é pouco, dois é bom

Não basta fazer um intercâmbio, a gente quer é voltar e voltar e voltar. Depois de fazer o meu primeiro intercâmbio aos 21 anos de idade, a ideia de voltar e estudar ainda mais, e fazer um monte de coisas de novo, e outro tanto de coisas diferentes, não saía da minha cabeça.

O contexto havia mudado um pouco: ao invés de ir estudar inglês, somente, a ideia era fazer um estudo mais focado em negócios, minha área de atuação. Queria melhorar a minha capacidade de comunicação e realização de apresentações em inglês, e pegar um pouco de gírias e jargões da área de marketing. Estava fazendo MBA na época, com aprofundamento em Marketing, e minha carreira avançava na área.

Apesar da minha irmã não poder ir comigo desta vez, uma das minhas melhores amigas embarcou no sonho e resolveu ir comigo estudar (imagine só: amiga da faculdade que estava fazendo MBA junto comigo e ainda resolveu ir viajar!!!). Mas o cenário era mais complicado: ambas trabalhávamos (e portando com muita ginástica conseguimos 45 dias de férias), e tínhamos budget limitadíssimo, a libra estava 1 para 5 reais!

Neste cenário, decidimos algumas coisas:

- queríamos ir para Londres (minha experiência havia sido muito positiva),
- o roteiro iria incluir uma viagem pela Europa (desta vez a ideia era explorar a Península Ibérica: Portugal e Espanha),
- seriam 4 semanas de estudo (o que eu considero o mínimo ideal para ter algum progresso efetivo no objetivo de estudos),
 - teríamos mais alguns dias para mochilar,
- desta vez, para facilitar a logística, ficaríamos hospedadas na mesma casa de família (mas teríamos que falar inglês o maior tempo possível),
- a escola de inglês teria que ser excelente, mas não precisava ser "a mais cara".
- a baixa estação (vulgo "inverno") novamente foi uma decisão certeira para adequar o nosso orçamento.

Assim, em janeiro de 2001, agora aos 25 anos de idade, fui com a minha melhor amiga para Londres estudar inglês com foco em conversação e business na St. Giles School.

Passagens aéreas pela TAP com escala em Lisboa (pegamos ainda a passagem de estudando = preço ótimo e parcelamento). Desta vez fechamos tudo pela Central de Intercâmbio, que foi ótima no processo todo, também, inclusive o curso e o seguro. O Euro também já estava vigorando pela Europa, o que facilitou nossa vida na segunda fase da viagem (levamos travellers checks em libras esterlinas e euros).



A estadia em casa de família em dupla também foi muito acertada. Passamos pelas mesmas situações (adaptação à cultura e rotina de uma família completamente diferentes das nossas, comidas estranhas - e situações cheias de ovos e cogumelos, que ela e eu odiávamos, respectivamente -, descarga, digamos, um pouco fraca - ha, ha, ha não acredito que estou postando isso, chuveiro que ficava frio no meio do banho de 3 minutos, porta do banheiro que não trancava, e por aí vai), mas desta vez estávamos juntas e dávamos risadas (e apoiávamos uma à outra) juntas. Além de termos companhia para volta sozinhas da balada a noite. Foi muito mais "suave".

A escola foi excelente: instalações muito boas, professores muito bons e de várias nacionalidades (mais uma vez ajudando a trabalhar o entendimento de diferentes sotaques), turmas bastante ecléticas e com alunos de todas as idades (de 12 a 50 anos). Havia bastante atividade extra classe para promover a socialização e também a integração das pessoas, e foi muito acertada a escolha do foco em conversação e business (foi muito enriquecedor).

Todos os dias, depois da escola, turistávamos pelos museus e pontos turísticos de Londres (desta vez os museus estavam de graça, eba!). Conversávamos somente em inglês entre a gente, eu ajudava a minha amiga quando algumas palavras eram estranhas a ela, comprávamos cookies e frutas no mercado e Cadbury no metrô, fomos a espetáculos, fizemos baladas muito boas e demos muita, muita, muita, muita, muita risada.

Fizemos duas grandes viagens de final de semana: uma para Edimburgh, na Escócia, e outra para Dublin, na Irlanda. Foram espetaculares e nos hospedamos em Bed & Breakfast ("so cozy").

Ao final de tudo, estávamos muito mais inglesas, falando muito melhor, nos divertimos e ainda teríamos Portugal e Espanha pela frente. Fizemos de trem e ônibus o roteiro: Lisboa - Madrid - Toledo - Barcelona - Lisboa. De quebra, ainda treinamos o espanhol. Foi incrível.

Algumas coisas engraçadas:
- já comentei sobre o caso da privada, cuja descarga era péssima e requeria muita estratégia para funcionar (ainda bem que duas cabeças pensam melhor do que uma - hi hi hi),
- o banheiro do Museu de Buckingham pode ser uma ótima opção para quem está com o problema acima (hi hi hi 2),
- lavar um cabelo muito comprido em 3 minutos é uma arte, se não quiser passar frio numa casa com uma caldeira limitada, aprenda técnicas para lavar ele em 1 minuto (no inverno não adianta pensar em desligar o chuveiro para não congelar - a nossa técnica incluía começar o processo molhando e pré-lavando o cabelo na pia para finalizar apenas no chuveiro),
- esteja preparado para não se alimentar direito (a comida em Londres, para pessoas  de orçamento limitado, é ruim), pense em lanchinhos para equilibrar a nutrição (ovo cozido e banana dão "sustância"),
- quando mochilar de trem ou ônibus, também recorra a lencinhos umedecidos e shampoo a seco para momentos extremos e de impossibilidade de ter acesso a um chuveiro (isso acontece nas melhores famílias),
- atente-se ao calendário de coisas que você desconhece (quase não conseguimos viajar para Dublin por conta de uma final de rúgbi - esporte que a gente até então desconhecia - que ocupou quase todos os hotéis do Frommers - conseguimos uma vaga somente na última tentativa).

O bacana de fazer um intercâmbio quando se está mais "maduro" é que parece uma coisa totalmente nova. A gente encara tudo de outra maneira e aproveita outras coisas da viagem. A gente reflete sobre as coisas de uma maneira totalmente diferente, a gente encara tudo de outra forma, e a gente rejuvenesce e abre a mente novamente. É muito rico.

Estar na companhia de um amigo também é um grande presente. Eu tive dois: na primeira foi com a minha irmã e na segunda fui na companhia da minha amiga. Não poderia ser melhor. Mas confesso que a teoria de "ficar em casas separadas para aprender mais" só funciona quando se é bem novo, quando é mais velho, desencana e vai curtir seu irmão, amigo ou namorado, porque ter uma companhia para fofocar sobre o que aconteceu, confabular sobre a programação do dia seguinte e dar risada dos micos do dia não tem igual. Depois a gente tira a diferença de outras formas.

O primeiro intercâmbio não te impede de fazer o segundo, nem o terceiro, nem o milésimo.  Com planejamento, boas escolas e a mente aberta, você irá aproveitar muito, o melhor de cada um deles. Invista um bom tempo no planejamento, converse com pessoas, visite feiras e eventos de intercâmbio, fale com um mentor ou com seu chefe a respeito (eles podem dar ótimas ideias). E o impacto nos seus planos pessoais ou profissionais será muito positivo. As memórias são incríveis. Leve tudo muito a sério, mas inclua lazer, porque isso também enriquece o seu repertório e agrega muito na sua experiência.

No próximo post, falo de um outro intercâmbio, desta vez, com muitos erros e aprendizados consolidados.

Intercâmbio - E mais: um mochilão pela Europa

Uma das maiores vantagens de se fazer um intercâmbio para a Europa é poder mochilar e visitar vários países enquanto estuda. Quando me dei conta, meu passaporte estava todo carimbado e eu havia saído do patamar de "nunca saí do Brasil" para "conheço 9 países!". É uma sensação incrível!

Quando ainda estava em Londres, aproveitei, como disse no post anterior, para viajar para outras cidadezinhas próximas nos finais de semana. Num deles, dei uma esticadinha para a Escócia onde conheci a tão sonhada Edimburgo e fiz um bate-e-volta até o Stirling Castle (aquele do filme do Mel Gibson* em que ele interpreta William Wallace, "Coração Valente"). 

(*Mais pra frente, o próprio, aparece em outra história.)


Diploma em mãos, muitos amigos, milhares de histórias e o inglês tinindo, pegamos o voo para Paris e lá começou nosso mochilão de trem (aquele passe que permite fazer um determinado número de viagens dentro de 14 dias). De lá, seguimos para Amsterdã, Munique, Viena, Veneza, Roma, Vaticano, Florença, Pisa - de onde vieram meus bisavós maternos -, Zurique, Amsterdã, Paris. Algumas vezes dormimos no próprio trem. Outras, em Bed and Breakfast, hotéis "baratos" ou hostels.

Visitamos museus, andamos, andamos, andamos, comemos, rimos, visitamos igrejas, visitamos construções históricas, aprendemos história, geografia e cultura, bebemos, fizemos novos amigos, encontramos o pessoal do intercâmbio (sem querer!), erramos, acertamos e aprendemos.

Naquele tempo não havia o Euro, e isso significava ter que trocar dinheiro no trem ou nas estações de trem, ficar confuso com o dinheiro (saindo de uma moeda que era em números pequenos, como o marco alemão, para uma de números gigantescos, como as liras italianas). Uma loucura!



Algumas histórias inesquecíveis:
- fui assaltada em Paris: um espertinho aproveitou minha distração e roubou minha máquina fotográfica (a única que tinha) com o filme (!!!) da Escócia;
- encontrei amigos do intercâmbio no mesmo hostel que nos hospedamos em Paris (Le D'Artagnan, muito bom);
- nos perdemos por horas num parque em Amsterdã (erro de cálculo, o parque era imenso);
- deixamos todas as nossas coisas em Amsterdã, num 'locker' porque em Paris não tinha onde deixar (ao final da viagem, descobrimos que não podia deixar mais do que 7 dias e levamos a maior bronca, além de passarmos a maior vergonha porque deixamos peças de roupas soltas no armário - imagina a nossa cara quando o guardinha começou a nos entregar: botas, calcinhas, meias usadas...);
- ainda em Amsterdã, compramos um "leite" que na verdade era um iogurte achocolatado - porque não sabíamos falar holandês;
- em Munique uma pessoa na rua, vendo que éramos turistas e estávamos confusas, nos levou por um tour de 20 minutos pelo centro para conhecermos onde estavam os principais pontos (e podermos voltar com calma depois);
- ficamos tristes porque em Veneza estávamos eu e a minha irmã, somente, e o destino era romântico demais para se estar com a irmã (ha, ha, ha);
- encontramos nossos amigos do intercâmbio (de novo, fala sério!) e compartilhamos um quarto com eles em Roma, além de fazermos todos os passeios juntos,
- no Museu do Vaticano (meu sonho era conhecer a Capela Sistina) fizemos a visita toda na companhia de Mel Gibson e seus 6 filhos (infelizmente não conseguimos tirar foto porque o segurança não permitiu - e não havia celular!);
- realizei o sonho de visitar Pisa, de onde saíram nossos bisavós maternos no início do século passado, rumo ao Brasil - e fiz aquela 'foto-mico' segurando a torre;
- fui embora querendo ficar.

Se tudo isso que aconteceu e compartilhei nos dois posts não tivesse valido a pena, ainda tive algumas reviravoltas na vida que foram importantes em minha vida e que atribuo a este investimento no Intercâmbio. Quando retornei ao Brasil, meu inglês estava ainda melhor do que quando saí daqui e foi na turma do nível avançado que eu segui meus estudos no Berlitz (eu saltei, praticamente, o nível intermediário inteiro). Também, acabei passando em 2 processos seletivos de programa de trainees. Sem o inglês, nada disso teria sido possível. Mas toda a bagagem que eu carreguei nesta experiência foram essenciais para quem eu sou hoje.

No próximo post eu conto sobre a segunda experiência de intercâmbio. De novo, em Londres.

Intercâmbio - A primeira vez

O frio na barriga que dá antes da viagem é imenso. Parece maior do que todos os outros que você já sentiu na vida. Sério. Pelo menos o meu foi assim, já que também foi a minha primeira viagem internacional. Passaporte na mão, mochilão comprado, guia, mil papéis e cartas de recomendação, anotações de todas as dicas, vouchers, bolsinha interna para guardar o dinheiro, malas e uma roupa quente e confortável. Ainda assim, dor de barriga forte, coração a mil. Foi assim que embarquei.

Meu inglês, a esta altura, já dava para me virar. Havíamos treinado bastante as frases e diálogos de turismo e viagem com os professores. Mas com tanta coisa acontecendo, tantas novidades que confesso que esta era a menor de todas as preocupações: acertar a escala, passar pela alfândega, pegar o trem certo em Heathrow, chegar na casa sozinha, gostar da casa onde me hospedaria, gostar da landlady, acertar o caminho da escola... Medo (eu tinha 21 anos em 1997).

O voo foi tranquilo, Londres via Paris pela Air France. Muito bom o serviço de bordo, mas tudo o que eu pensava era em passar pela alfândega. Que medo. O que eu iria falar? O que iriam perguntar? E se... E se... E se... (mentalmente eu pensava em todas as hipóteses e formulava respostas). E não é que foi tranquilo? Estávamos com tudo certinho, escola, estadia, dinheiro, seguro e vínculos para nos fazer voltar (além da passagem de volta, claro). Entramos!

Pegar o trem foi fácil e fomos tomadas por uma determinação e ansiedade, que quando dei por mim estava sozinha, em Stamford Brook, perguntando como chegar na minha casa. Toquei a campainha e lá estava eu, num apartamento de uma senhora inglesa, tomando uma xícara de chá. Sem nenhum celular.

No dia seguinte nos encontramos e fomos para a escola, em Picadilly Circus (a International House era de frente para o Green Park). A escola era excelente, muitos alunos internacionais de todos os lugares. No primeiro dia fizemos uma prova. Eu que tinha feito um ano de inglês intensivo fui classificada no Late Intermediate B (um grau antes do avançado). Como aulas complementares, na parte da tarde, peguei uma voltada para 'phrasal verbs' e outra em 'listening and speaking'. A estrutura era excelente, professores ótimos, muitas atividades sociais e alunos muito legais. Fizemos amizades de todos os tipos e sempre tinha um estrangeiro junto, nos obrigando a falar inglês.



Todos os dias depois da escola, turistávamos pelos principais pontos de Londres (e alguns mais alternativos). Compramos o passe de metrô para 1 mês e aproveitamos!

Nos finais de semana fizemos viagens curtas (Cambridge, Bath, Salisbury, Stonehenge, Bornemouth) e um final de semana prolongado em Edimburgh (ponto alto da viagem).

A vida em casa de família não é fácil. Temos que adaptar muito a nossa cultura à cultura do país e da pessoa, especificamente, em cuja casa estamos morando. Os banhos se tornam infinitamente mais curtos, lavar o cabelo pode ser uma tarefa árdua e cheia de transtornos, as refeições também são bastante complicadas* (e engraçadas, agora que o tempo passou). Mas me tornei muito mais madura, flexível, e valorizei muito mais o que tinha em casa.

(*Na época havia um surto de vaca louca, então inventei que não comia carne vermelha - o  que já eliminava as carnes de caça, que detesto -, e como detesto cogumelos, também inventei que era alérgica a eles quando declinei uma refeição que só tinha isso para comer. Mas no geral, tirando os gatos que caminhavam sobre a pia da cozinha e a mesa de jantar, logo depois de darem um rolê pelas ruas, até que eu fui boazinha e comi bem. DICA: sempre tenha chocolates, frutas e bolachinhas para estes momentos.)

As amizades são ótimas! Nos escrevemos (de novo: naquela época acho que só eu tinha e-mail) e saíamos bastante. A turma era animada e divertida. Trocávamos muitas dicas e informações.

A escola valeu muito a pena. Foi excelente. Até hoje me lembro de algumas expressões e aulas de lá. Saí muito mais segura, com uma pronúncia muito melhor, muito mais entendimento e com um vocabulário muito mais rico de lá. Não me arrependo nem um segundo. A escola nos entregou cada centavo investido.

O fato é: ao fazer um intercâmbio, você nunca mais será a mesma pessoa. Você irá mudar - e muito - mas de uma maneira muito positiva. Sua mente irá se abrir e expandir exponencialmente. Isso sem contar todo o aprendizado linguístico e cultural. Na minha opinião é uma das melhores coisas que podem acontecer na vida de qualquer pessoa. Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Mas ao invés de ficar somente um mês, teria ficado um ano. Talvez, até, nunca mais voltasse (e resolvesse terminar a faculdade por lá). Espero, mesmo, que todas as pessoas no mundo em algum momento possam passar por isso tudo, viver o que vivi e crescer o que cresci.

O mochilão é um caso a parte. Vale contar em um post exclusivo, mas foi DI-VI-NO! Continue seguindo porque tem mais no próximo post.

Intercâmbio - A decisão

Este é o primeiro de uma série de posts sobre intercâmbio. Ele é dedicado a todos aqueles que já fizeram, estão fazendo ou estão pensando em fazer um intercâmbio para aprender uma língua. Eles são baseados em experiências pessoais e não são uma obra de ficção, nem foram patrocinados por ninguém (bem, o primeiro e o segundo foram pagos pelos meus pais).

Sempre quis fazer intercâmbio, mas infelizmente nunca havia tido a oportunidade. Aquela coisa de ir morar fora por um ano e seus pais receberem um gringo pelo mesmo período (se não me engano do Rotary) sempre achei demais. Infelizmente nunca pedi e nunca me ofereceram. Achava que era algo tão distante de mim e da minha realidade que nunca conversei com ninguém a respeito. Apenas admirava quem tinha esta experiência na vida.


 Até que no penúltimo ano da faculdade eu fui fazer alguns processo seletivos para programas de estágio e percebi que, mais do que simplesmente falar inglês, sem morar fora eu não teria chance nas grandes empresas. Arregacei as mangas e fui estudar. Curso intensivo no Berlitz (4 vezes por semana x 2,5 horas por dia), começando do "I am, you are, he is...". Literalmente "The book is on the table". Ralamos muito (eu e a minha irmã, companheira de estudos), fizemos muita lição de casa, aprendemos diferentes sotaques (nesta escola os professores mudam a cada aula e portanto você tem a oportunidade de aprender os mais diferentes "accent"s do inglês), escutamos muita fita cassete com exercícios no carro (para treinar escuta e pronúncia). Tudo isso depois de ir pra faculdade, pela manhã e trabalhar a tarde e aos sábados na loja da minha mãe.

No desenrolar do estudo, as coisas melhoraram em nossa vida naquele ano e felizmente pudemos pleitear (estimulados pelos professores e pelas duas amigas de sala de aula que tínhamos) e conquistar (graças ao pai- e mãe-trocínio) o tão sonhado intercâmbio.

A escolha foi difícil, foram um ou dois meses pensando. Queríamos ir para os EUA, lógico, e não faltavam opções: New York, Los Angeles, Seattle (eu era grunge), San Francisco. Dava vontade de ir e ficar um ano, mas só teríamos condições de ficar um mês. Mas alguns professores sugeriram a Inglaterra, disseram que Londres era o máximo e que depois a gente ainda poderia conhecer alguns países da Europa. O pacote foi ficando ainda mais interessante, para não dizer completamente irresistível. Não tivemos como decidir diferente: iríamos para Londres! Até porque eu sempre achei o 'accent' deles muito elegante. E de brinde ganharíamos o mundo, pelo menos um giro pela Europa. (A viagem de um mês virou 45 dias, 4 semanas em sala de aula e o restante fazendo um mochilão de trem. Os patrocinadores foram generosos. Sou muito grata a eles.)

O período teve que ser a baixa temporada, para conseguirmos viabilizar o orçamento, e o desafio era conciliar isso com os estudos (estávamos todas na faculdade e não poderíamos perder aulas nem trancar matrícula). Optamos por janeiro (pós festas). Inverno pesado (para nós, que não estávamos acostumadas), mas por outro lado uma experiência diferente e a possibilidade de vermos neve pela primeira vez. Boa economia.

Restava outra grande decisão: para qual escola. Difícil escolher sem conhecer. Saímos a procura de opções (note que era década de 90, portanto a internet era discada, não havia "Google" e muito menos "trip advisor", e ainda eram poucas as empresas que tinham um website). Nos indicaram algumas boas escola, mas chamou a nossa atenção a International House: super cara, porém conceituadíssima e grande formadora de professores (e tinha uma unidade em Picadilly Circus!). Na época fechamos direto com eles (via correio e international transfer). O processo em si já era um desafio e tanto.

Optamos também por contratar um pacote com inglês geral pela manhã (general english, 3 horas) e cursos de reforço (2 horas) na parte da tarde. Foco total no aprendizado!  Bem intensivo.

Mais uma decisão: morar em abrigos escolares ou casa de família. Como levamos a sério a questão da imersão na cultura optamos por ficar em casa de família E por ficarmos em casas separadas, para não falarmos português entre a gente no restante do dia. Deu um frio na barriga.

Acho que o "pacote" que montamos de maneira independente ficou bem bacana. Passagem de estudante comprada na STB (e seguro de viagem também - naquela época não era obrigatório, mas minha prima que teve apendicite durante uma viagem fez a cabeça do meu pai para contratar), escola fechada direto, hospedagem em casa de família (incluindo café da manhã e jantar), passagem de trem comprada também na STB e um guia "Frommer's Europe 5 dólars a day" emprestado da minha prima.

Com o tempo fomos comprando "travellers' cheques" e libras esterlinas em espécie para levar. A ideia era sobreviver com um budget durante a viagem e recorrer a um cartão de crédito (adicional ao do meu pai) somente em caso de emergência.

Fizemos muitas reuniões com todos amigos e professores que haviam viajado para fora. Anotamos dicas de todos deles (em papéis e no guia que pegamos emprestado). Desenhamos o cronograma de datas e também o trajeto do trem.

Eu nunca havia feito algo do tipo, planejar uma viagem. Nem minha irmã e minhas amigas. Muito menos meus pais (não este tipo de viagem). A partir deste momento me apaixonei por viagem, pelo planejamento, por criar e programar um roteiro. Foi paixão à primeira vista.

No próximo post conto a experiência.

Que horas são?

Se tem uma coisa difícil para quem está viajando ou morando fora e quer falar com parentes e amigos em outros destinos é conciliar os horários.

Encontrei um site que achei bem bacana, onde é possível você comparar as horas em vários lugares do mundo ao mesmo tempo. E ele memoriza suas configurações.

Além disso, é possível colocar aquele horário na sua agenda (e facilitar a vida de quem recebe os convites para entender em que horário será o compromisso - isso sempre dá confusão, também).

Quando puder, dê uma espiadinha e teste o World Time Buddy:
http://www.worldtimebuddy.com/

(Eu também tenho uma tabelinha em Excel salva no celular para eventualidades e planejo ter 3 relógios em casa, no futuro, com o horário local e de outros 2 países com os quais mantenho contato frequente).

Coromandel Península - Vinícolas

Proposta irresistível para quem vai a Coromandel é visitar uma vinícola (para comprar ou simplesmente uma sessão de degustação). Além desta aqui que visitamos, há outras na região, mas acabei não mapeando (pela estrada é possível encontrar algumas placas). 




Infelizmente quando resolvemos ir, iríamos pegar estrada e não pudemos fazer a degustação, mas deu água na boca! 



Quem consegue resistir? 



Estes aqui embaixo são nossos 'souvenires' da viagem, da Mercury Bay vinícola (especialidade em pinot noir, mas eu adoro um rosé, então pegamos um de cada). Assim a gente esquenta um pouco neste friosinho que está chegando por aqui. 



A dica é sempre ficar atento nas estradas, porque em diversos lugares vimos placas de vinícolas pela estrada, bem como lugares bacanas, cidades pitorescas, parques maravilhosos e até barraquinhas vendendo hortifrútis pelas estradas. 


Coromandel Península - Hot Water Beach

Ainda na região leste da Península de Coromandel, fomos visitar a surpreendente Hot Water Beach. Obviamente, pela fama, ela é super turística (e cheia de gente cavando o chão em qualquer lugar), mas acho que o local tem seus encantos, altas ondas e também uma relação interessante com a origem vulcânica da Nova Zelândia. 



Região lotada (para os padrões aqui da Nova Zelândia, claro, nada se compara a Copacabana em noite de reveillon), estacionamentos 'bombando', placas sinalizando um Hot Water Beach Top 10 Holiday Park (deu vontade de conhecer numa próxima viagem), ruas cheias de turistas, passeios, rio e praia com salva-vidas. 



No canto direito tudo normal. Nas águas, ondas fortes e altas (acho que 1,5 metro a 2 metros), turistas ao longo da orla disputando um espaço na areia (especialmente no minúsculo trecho de 100 metros entre os quais pode-se nadar no mar por conta da segurança) e os salva-vidas entrando em ação a cada pouco por conta da força das águas e dos turistas desavisados. Sol a pino e maré cheia. Um dia de praia normal. Me lembrou Maresias no verão. 



Ao lado esquerdo fica o cantinho mais sossegado, proibido entrar (exceto surfistas - e que fique o registro: quem desobedeceu teve que ser resgatado!) e uma multidão ao fundo perto da pedra (a praia após aquelas pedras do fundo se chama Surf Beach). 


Ali, naquele cantinho perto da multidão entre as pedras, está a "mágica" que dá nome à praia... 




Antes, uma breve e superficial explicação sobre o fenômeno da água quente. Quando Coromandel tinha atividade vulcânica, uma rocha vulcânica (magma) se moveu para a superfície. Próximo a ela há alguns reservatórios de água que (apesar da rocha estar passando pelo processo de resfriamento) ainda mantém temperaturas altas. É esta água que surge na superfície quando escavamos a região. 



As reservas de água do subsolo aquecem e, quando cavadas na maré baixa nesta região da praia, emergem à superfície, formando algumas piscinas quentinhas (chegam a 60 graus). 



O bacana da foto abaixo foi ver pessoas de todas as idades e turistas dos mais diversos lugares cavando junto e brincando com a situação. 




As crianças amaram a experiência, o que seria um dia simples de praia (e de surf para alguns) virou uma divertida brincadeira com direito a ciência e água quentinha para as crianças - que não queriam ir embora de lá de jeito algum. Muito legal mesmo! 


Coromandel Península - Hahei e Cathedral Cove

Aqui está o motivo de termos vindo para o lado leste da península de Coromandel: a belíssima e famosa Cathedral Cove. 


Para chegar até ela é preciso ir a Hahei Beach e fazer uma trilha de cerca de 1 hora e meia. Hahei por si só é uma graça e já vale a visita (há muitas pousadinhas e hoteis, além de cafés, restaurantes e uma praia de tirar o fôlego). 


 


Paramos o carro em Hahei (embaixo) e seguimos rua a cima a pé. O caminho da rua da praia de Hahei até a entrada da trilha para Cathedral Cove é uma rua íngreme de cerca de 1km (mas vale pela dificuldade de se arrumar onde estacionar o carro lá em cima). A vista da caminhada compensa (vide esta da foto acima), mas depois de tanta subida, a trilha tem ainda mais 1h e meia até a Cathedral Cove (e como havia chovido, pegamos alguma lama pelo caminho). 



Aqui mais um pouco da vista, agora com a Cathedral Cove.

 


Chegando lá, um lance de escadas e estávamos do lado direito da caverna em uma praia pequena, de areia clara e com ondas. Esta da foto é a praia da direita, onde a trilha chega. 





Caminhando por dentro da caverna a gente chega na praia da esquerda, igualmente linda e um pouco mais vazia. A Caverna é legal, e realmente seu interior é grande (se a maré estiver cheia, fica complicada a passagem de um lado para o outro). 




Esta pedra esculpida pelo mar, a qual vemos abaixo, é linda demais. Infelizmente a foto não fez justiça às cores e formas. As águas claras e ondas fortes são uma atração à parte. 




Muitas pessoas vêm para cá de barco. Deve ser um lindo passeio, talvez da próxima vez a gente faça, mas a trilha é realmente bacana e eu sempre acho que a gente precisa ir a pé para realmente ter contato com o lugar. 


A dica é levar muita água (o dobro do que está pensando, assim tem para a ida e a volta) e um lanchinho para comer enquanto curte o lugar.


Na volta, havia restaurantes e um mercadinho lotado (onde paramos para nos refrescar com alguns sorvetes e muita água). Amei!  




Coromandel Península - Tairua

No meio do caminho de Auckland para Cooks Bay em Coromandel Peninsula fizemos uma parada na charmosa Tairua. Se estiver na State Highway 25 indo para Coromandel, pare por lá, tanto para fazer compras (no Foursquare), como para almoçar ou fazer um piquenique. 



A cidade é uma graça, fica entre as duas serrinhas, tem bons cafés e restaurantes, além de um Foursquare (mercadinho) para se abastecer antes de chegar a Cooks Bay, Flaxmill, Hot Water Beach e Hahei. Vale a parada (e alguns clicks no visual). Se tiver mais tempo, recomendo um ou dois dias por aqui. 





Este parquinho fica à beira do mar e da estrada, e as crianças adoraram! Dá para passar a tarde ali (e há mesinhas para piquenique). De frente para o braço de mar. Você pode comprar a comida num fish'n'chips / takeaway (compramos a nossa no Surf and Sand, muito bom por sinal!) e comer por lá. Simples e Perfeito. 


Coromandel Península - Flaxmill Bay


Decidimos realizar duas vontades: acampar com as crianças (elas ainda não tinham vivido esta experiência em barraca) e conhecer a famosa península de Coromandel. O feriado de Páscoa nos pareceu perfeito, já que precisaríamos de ao menos 3 dias por lá. 


Não investimos muito nos equipamentos porque era a primeira vez, ainda um teste, então compramos uma barraca simples e pegamos emprestados os demais acessórios. Já que estamos morando na Nova Zelândia, e percebemos que os kiwis (neozelandeses) gostam de acampar (seja em barracas ou em seus fantásticos motorhomes), por que não viver tudo isso? 


Também tomamos o cuidado de procurar um camping com estrutura e encontramos o Flaxmill bem pertinho das praias que queríamos visitar (Hahei, com a Cathedral Cove, e Hot Water Beach). 


Preço bom, bom atendimento, fotos promissoras. E assim escolhemos este camping. Chegando lá, além de acharmos a localização excelente, o paisagismo do local, a infraestrutura e o super atendimento do staff e do dono, Steve, foram surpreendentes! 





Este é o paisagismo do camping nota dez onde ficamos em nossa viagem a Coromandel: Flaxmill. Funcionários super atenciosos, lugar espetacular, frequentadores amistosos e próximo das principais atrações da península (além de ser de frente para o mar). Super recomendo!



Antes que saia correndo, veja só que maravilhosa a cozinha do nosso camping:




As geladeiras e freezers são comuns e as pessoas marcam seus pertences sem stress (há uma caneta para escrever seu nome, seu "posto" e qual o dia do seu 'checkout'). Dá para fazer ótimas refeições por ali, se não quiser ir a um dos bons lugares que há para comer na região. As crianças adoraram! 


(Dica importante para quem não quer gastar muito: vá ao mercado na sua cidade ou em Tairua - mais adiante falo a respeito da cidade e do mercado de lá - porque ali perto só há Cooks Beach e seu mercadinho onde tudo custa o dobro do preço e não há muitas opções.) Os banheiro também eram limpíssimos (chuveiro quente por 5 minutos = NZ$ 2,00) e havia uma lavanderia com secadora (NZ 4,00 por uso). 




Aqui o nosso kit pra lá de básico para começar, mas espero que seja o segundo, de muitos que queremos fazer por aqui (o primeiro foi no inverno, num motorhome, em julho). Tudo muito seguro, nada de freecamping, organizado e limpo. Nota dez no quesito "cool". E olha que pegamos chuva e um furo no nosso colchão inflável (além de estarmos em 4 numa barraca pequena para 4 pessoas - na verdade o certo seria para 2). 


A barraca verde à esquerda foi emprestada por um inglês que já mora aqui há dez anos, tinha um trailer vintage incrível e foi muito simpático em nos emprestar a 'extra tent' dele (pena que as crianças quiseram ficar conosco, apertadinhos).


Reveja seus conceitos: acampar é um "must" se você está num país tão "camping friendly" quanto a Nova Zelândia. Ficar em hotel é maravilhoso, mas acampar é incrível!